O setor de bet no Brasil deixou de ser apenas uma tendência para se transformar em uma indústria de peso, capaz de movimentar bilhões, gerar empregos e acelerar a profissionalização de áreas que vão muito além do entretenimento.
Um ano após o início efetivo da regulamentação, o mercado entrou em uma nova fase: mais estruturada, mais competitiva e, principalmente, mais exigente em relação a tecnologia, segurança e boas práticas.
Esse crescimento não aconteceu por acaso. O país já tinha uma base enorme de fãs de esporte e um público altamente conectado, acostumado a consumir conteúdo digital e a experimentar novas formas de interação com jogos e plataformas online.
A bet aproveitou esse cenário para se estabelecer como um serviço que mistura tecnologia e experiência do usuário, e que depende diretamente de confiança. À medida que o ambiente regulatório ficou mais claro, o setor passou a evoluir como um negócio “de verdade”, com processos, auditorias, governança e responsabilidade social em primeiro plano.
A Lei nº 14.790/2023, que regulamenta as apostas de quota fixa, marcou um passo decisivo nesse caminho. A legislação trouxe exigências importantes sobre integridade, prevenção a fraudes, controles internos, atendimento e mecanismos de jogo responsável.
Na prática, a legalização não representou apenas “poder operar”, mas sim a obrigação de operar com qualidade e transparência. E quando uma indústria precisa operar com padrões mais altos, ela inevitavelmente contrata mais gente, cria novas funções e valoriza profissionais com habilidades específicas. É exatamente por isso que o mercado de bet virou um dos campos mais promissores para carreira no Brasil.
O que os brasileiros mais apostam
Para entender onde essas oportunidades estão crescendo com mais força, vale olhar para o comportamento do público dentro de uma operação consolidada. Dados de popularidade em esportes e cassino publicados por uma bet ajudam a enxergar quais áreas movimentam mais produto, mais campanhas e mais decisões estratégicas dentro de uma plataforma, o que se traduz diretamente em demanda por profissionais.
No universo esportivo, o futebol segue como motor principal. Na bet KTO, ele concentra 77,28% dos usuários ativos e representa 88,31% do volume total de apostas. Isso reforça uma característica cultural do Brasil: o futebol não é apenas um esporte, mas um componente diário do entretenimento nacional.
Mesmo assim, outras modalidades têm participação relevante, especialmente para públicos de nicho e eventos internacionais. O basquete aparece com 6,99% dos usuários ativos, o tênis com 3,43%, o futebol americano com 2,27% e o UFC/MMA com 1,81%.
Quando olhamos para ligas e competições, o peso do cenário nacional também se destaca. O Brasileirão lidera entre as ligas mais apostadas, seguido pela Série B, além de competições internacionais que ajudam a manter o calendário aquecido ao longo do ano.
No cassino, a concentração é ainda maior. A maior parte das rodadas na KTO está nos slots, que representam 93,55% do total. Isso mostra que, para o público brasileiro, a experiência de cassino dentro de uma bet está muito associada a jogos rápidos, repetíveis e de fácil acesso.
Esses dados não são só curiosidade: eles ajudam a explicar por que determinadas áreas crescem tanto. Se futebol domina o volume esportivo, a operação precisa de estrutura para lidar com picos de apostas, eventos ao vivo e campanhas intensas.
Se slots dominam o cassino, a empresa precisa de foco em retenção, experiência do usuário, suporte e monitoramento de integridade do produto. Em ambos os casos, o resultado é o mesmo: mais oportunidades de carreira.
As principais oportunidades de carreira em bet no Brasil
Um ano após o início da regulamentação, a principal mudança é a maturidade do mercado. Hoje, uma bet que quer crescer no Brasil precisa provar que é segura, eficiente e capaz de manter padrões elevados.
Isso cria espaço para muitas áreas, inclusive algumas que não eram tão conhecidas do público geral. A seguir, estão os caminhos mais promissores para quem quer entrar no setor.
Compliance e Regulatório
Se antes muitas operações eram vistas como negócios digitais com baixa exigência formal, hoje o compliance virou o centro do funcionamento de uma bet. A regulamentação exige processos claros, políticas internas, rastreabilidade de decisões e preparação para auditorias e fiscalização.
Isso faz com que equipes de compliance cresçam rapidamente, criando vagas para profissionais de controles internos, gestão de riscos, auditoria, integridade e governança. Durante o processo de transição, este chegou a ser um dos cargos em alta para contratação de profissionais.
Esse tipo de carreira costuma atrair pessoas vindas de Direito, Administração, Contabilidade e Economia, além de profissionais que já atuaram em áreas reguladas como bancos e fintechs.O diferencial aqui é unir conhecimento técnico com capacidade de execução, porque o compliance não é apenas “documento”: ele precisa funcionar no dia a dia e se conectar com tecnologia, atendimento, pagamentos e segurança.
Em um mercado competitivo, uma bet com compliance forte não só evita problemas, como também conquista confiança do usuário e estabilidade para operar a longo prazo.
KYC, Prevenção à Fraude e Segurança
Com regras mais rígidas e expectativas maiores sobre integridade, proteger a operação virou prioridade absoluta. Uma bet regulada precisa garantir que o usuário é quem diz ser, que depósitos e saques não são fraudulentos, que bônus não estão sendo abusados e que padrões suspeitos sejam identificados antes de virar prejuízo. Além disso, existe um esforço constante de combate a golpes digitais, roubo de contas e tentativas de exploração do sistema.
Isso criou um campo enorme para carreiras em KYC, antifraude e segurança da informação. Profissionais que trabalham com verificação de identidade, análise de risco, chargebacks, monitoramento de comportamento e investigação digital se tornaram peças essenciais.
É uma área que mistura tecnologia com análise e tomada de decisão rápida, e que tende a crescer ainda mais conforme o mercado amadurece. Em qualquer bet, a prevenção de fraude não é só um setor operacional: ela protege margem, reputação e a confiança do público.
Dados e BI
O setor de bet é movido por dados em tempo real. Cada clique do usuário, cada odd consultada, cada aposta concluída e cada etapa do funil de pagamento gera sinais que podem ser analisados. Por isso, carreiras em dados e BI se tornaram um dos pilares mais estratégicos para qualquer operação que queira escalar de forma saudável.
É com dados que uma empresa entende o que melhora conversão, o que reduz churn, quais esportes geram mais recorrência e quais jogos de cassino sustentam o engajamento. Entender a força do futebol nas apostas e o domínio dos slots no cassino, por exemplo, ajuda a definir prioridades de produto, campanhas e até decisões de infraestrutura.
Não por acaso, surgem oportunidades para analistas de BI, cientistas de dados, profissionais de analytics engineering e product analytics, além de especialistas focados em detectar abuso e riscos por meio de padrões comportamentais. Quem domina SQL, dashboards, experimentação e consegue transformar números em ações tem espaço garantido em uma bet competitiva.
Produto e Tecnologia
Muita gente imagina que o diferencial de uma bet está só em campanha e promoção, mas a verdade é que o coração do setor está em produto e tecnologia. Para funcionar de forma estável, uma plataforma precisa ser rápida, segura, escalável e preparada para picos de tráfego. E esses picos existem, principalmente em jogos ao vivo e datas esportivas fortes, quando milhares de pessoas apostam ao mesmo tempo.
Isso cria demanda contínua para profissionais de produto, engenharia e qualidade. Desenvolvedores backend e frontend, mobile, QA, automação de testes, SRE e especialistas em observabilidade e performance se tornaram essenciais.
O trabalho é garantir que a experiência seja fluida, que o sistema responda rápido, que integrações funcionem sem falhas e que qualquer problema seja detectado antes de impactar o usuário. Em um cenário regulado, tecnologia também significa conformidade: uma bet precisa registrar informações corretamente, garantir segurança de dados e operar com robustez.
Trading esportivo e gestão de risco
Uma das áreas mais importantes e menos conhecidas fora do setor é o trading esportivo. É aqui que a bet equilibra risco, define odds e monitora mercados ao vivo para manter o produto atrativo e sustentável. O trading envolve análise constante de eventos, ajustes rápidos conforme o jogo muda e proteção contra padrões anormais de apostas.
Além disso, a gestão de risco trabalha para evitar exposição excessiva, especialmente em mercados populares, e para identificar movimentos suspeitos. Esse tipo de carreira exige raciocínio lógico, afinidade com esportes e capacidade de agir sob pressão.
É uma das áreas que melhor representam como o setor evoluiu para um modelo altamente técnico, que combina análise, estratégia e tecnologia — até mesmo com aplicação de Machine Learning para a construção dos modelos de odds.
Marketing, Conteúdo e Performance
Se a regulamentação trouxe estrutura, ela também aumentou a responsabilidade do marketing. O mercado ficou mais competitivo e o crescimento não pode depender apenas de barulho. Uma bet que quer se consolidar precisa adquirir usuários com eficiência, construir relacionamento e manter consistência de comunicação sem comprometer sua confiança.
Isso cria oportunidades para profissionais de mídia paga, performance, SEO, conteúdo e CRM. Conteúdo esportivo continua sendo um dos motores mais poderosos, especialmente com futebol dominando volume, mas também cresce a importância de campanhas mais inteligentes, segmentadas e baseadas em dados.
Hoje, o marketing dentro de uma bet forte é menos sobre exagero e mais sobre estratégia, jornada e retenção. E quanto mais o setor amadurece, mais valioso se torna o profissional que domina aquisição sem abrir mão de boas práticas.
Atendimento e Experiência do Cliente (CX)
Outra mudança decisiva do mercado regulado é o peso do atendimento. Suporte deixou de ser apenas “resolver problemas” e virou parte do produto. Em uma bet, o usuário precisa de clareza sobre transações, validação de identidade, regras de promoções e suporte rápido quando algo acontece. E quando o atendimento funciona bem, ele reduz atrito, aumenta retenção e reforça credibilidade.
Por isso, cresceram as oportunidades em CX, qualidade de atendimento, liderança operacional e até áreas como ouvidoria. Em um mercado onde confiança é essencial, experiência do cliente se tornou diferencial competitivo. Uma bet que atende bem não só mantém o usuário ativo, como também protege reputação em um ambiente de alta visibilidade.
Jogo Responsável
O crescimento do setor exige contrapartida: responsabilidade social. Uma bet moderna precisa criar mecanismos para proteger consumidores vulneráveis e garantir que o entretenimento não se transforme em problema. Isso inclui políticas de limites, alertas, comunicação educativa e procedimentos para lidar com sinais de comportamento de risco.
Por isso, o jogo responsável se consolidou como uma das áreas mais importantes da nova fase do mercado. Surgem oportunidades para profissionais focados em políticas de proteção ao usuário, treinamento interno e suporte especializado para casos sensíveis.
Esse é um campo que deve crescer muito nos próximos anos, porque a sociedade e os reguladores cobram maturidade, e a indústria sabe que sustentabilidade depende de cuidado com o usuário.
Bet virou mercado de carreira
Um ano após o início da regulamentação, o setor de bet no Brasil está mais profissional, mais estruturado e cheio de oportunidades reais. A indústria passou a se parecer muito com empresas de tecnologia e serviços financeiros, com foco em segurança, dados, processos e experiência do usuário.
Isso abriu portas para uma diversidade enorme de carreiras, desde compliance e fraude até produto, engenharia, marketing e jogo responsável. Para quem quer entrar nesse universo, a melhor estratégia é escolher um caminho, aprender os fundamentos da indústria e se preparar para um mercado que valoriza performance e confiança em igual medida.
O futuro do setor pertence às operações que colocam tecnologia e responsabilidade no centro, e a bet que cresce de verdade é aquela que investe em pessoas qualificadas, processos sólidos e uma experiência cada vez mais segura para o público brasileiro.

Fernando Vale é um profissional graduado em Administração e com MBA em Logística Empresarial. Atualmente, é sócio e diretor da Unova Cursos, uma empresa especializada em Educação a Distância (EAD) e Cursos Online. Com mais de uma década de experiência no mercado educacional, Fernando tem se empenhado em levar conhecimento de excelência para milhares de indivíduos em todo o território brasileiro.
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